TARSILÃO

Tarsila e repetição.

Carlos Contente

Tarsilão

2004

Tinta Spray e acrílica sobre plástico.

110 x 150 cm

Coleção do artista.

Certo dia vi estampada em um cartão postal a obra Operários (1933), de Tarsila do Amaral. Reparei na repetição de rostos que parecem sem corpo; cada qual com sua cor de pele, biótipos que representam a miscigenação racial, todos com cara de tacho, mal humorados, indo para a fábrica. Representados não como indivíduos mas como massa; na minha leitura representa o ponto de vista do dono da fábrica, que “possui” o trabalho daquelas pessoas como quem possui máquinas.

 

No descontentamento do rosto e na repetição, nos encontramos massificados no início do século XXI neoliberal - mas com uma ponta de esperança -um operário chegara a presidente do Brasil– busquei, como todos os meus coetâneos, a diferença para me destacar da repetição da massa e com potência, à dar as caras no mundo. E assim  pintava a repetição de carinhas contentes.