REPETIÇÃO

Praça XV, Rio de Janeiro

2003

Destruído.

Linha da pobreza

2004

Esmalte sobre plástico

150 x 110 cm

Coleção Wendy Stark / Vanity Fair (EUA).

Em dois mil e quatro eu saí às ruas para grafitar repetições de “contentes” – esta carinha descontente – um auto retrato. Repeti uma ao lado da outra, em sequências lineares sobre muros, paredes, corredores e muretas. Nos espaços internos (corredores de universidades, livro de assinaturas de exposições de arte, bares, banheiros, etc) eu usei um carimbo. Para as ruas, um stencil. A idéia foi falar de anonimato e de busca pela diferença na multidão. Com vinte e poucos anos, eu quis “dar as caras”, literalmente.

 

Repetições -  leituras sujas e rápidas que fiz do minimalismo, cujas fotos (Judd, Stella, Serra) me chegaram xerocadas, cópia da cópia em preto e branco estourado e borrado. O negro das imagens similar ao asfalto das ruas, a sombra dos muros, o “preto fosco” da Colorgin, portanto  repetições de carinhas nas ruas, chocam pelo estranhamento mas também êm algo em comum com algumas pichações nos muros do Rio de Janeiro que são repetidas insistentemente – às vezes de uma lateral á outra de um muro. Um fato estético que até hoje me parece relevante, a repetição.

Graffiti no Museu Artur Bispo do Rosário

2006

Destruído.

Continuidade

2004

Graffiti na Avenida Primeiro de Março, Rio de Janeiro.

Destruído

DJ

Grafite e acrílica sobre tela.

30 x 20 cm

Coleção do artista

Com a repetição e o tempo pintaram as trocas, ressignificações e outros usos da "carinha" que não as das minhas próprias mãos. É quando o "alter-ego" vira alteridade e se perde no outro, ou pelo menos, tenta.

Audrée Juteau (Montreal) começa a experimentar com as máscaras e algum tempo depois o grupo The Choreographers aparece com a peça de dança contemporânea Oh Canada, em 2011.